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A ALANAC é a legítima representante dos laboratórios nacionais, e vem demonstrando a sua importância enfrentando desafios há quase 25 anos, sendo responsável pela compreensão crescente de que a existência de uma indústria farmacêutica nacional, através de um parque industrial que possibilite competitividade, é base para a soberania de um país.
Foi no dia primeiro de agosto de 1983, por volta das 17 horas, que um grupo de indústrias do ramo farmacêutico reuniu-se, em assembléia, para discutir o futuro do setor. Participam do encontro representantes da CIQUIFAN – Câmara da Indústria Químico-Farmacêutica Nacional – e do GEFAR – Grupo empresarial Farmacêutico. Os debates giraram em torno de um objetivo comum: o compromisso mútuo de constituir uma entidade de classe que represente o pensamento dos laboratórios farmacêuticos nacionais e atuasse na defesa dos interesses desse ramo industrial. Conscientes da necessidade de unirem suas forças para alcançar de forma mais rápida as metas estabelecidas, os membros da CIQUIFAN e do GEFAR resolvem apostar na idéia de unir as duas entidades numa só. É dessa decisão que nasce a ALANAC – Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais.
Um novo passo histórico A nova associação do setor farmacêutico nacional surgiu cercada de esperanças e de intuitos ousados: encontrar as soluções para os problemas dos laboratórios autenticamente nacionais, brasileiros, e estabelecer o entrosamento das empresas do setor com as autoridades governamentais, o mercado consumidor, fornecedores e sociedade. A denominação da sigla ALANAC, aprovada por todos os presentes, foi sugestão do representante do laboratório Darrow, Nelson Torres Duarte.
A escolha do primeiro presidente também ocorreria naquela mesma tarde. Para ocupar o mandato, que duraria até 1985, foi indicado João Marques de Paulo, representante da União Química Farmacêutica Nacional. Na mesa, Dante Alario Jr. (Neomed), e José Carlos Deluca Magalhães (Sintofarma). Durante essa gestão, a ALANAC mostraria, logo nos primeiros meses de funcionamento, que seu campo de atuação não ficaria restrito ao atendimento das reivindicações da categoria que representava.
Para a associação, tão importante como defender o pleito de seus associados – caso da luta pelo direito ao livre acesso a todas as matérias-primas e processos de fabricação-, era apresentar-se como um veículo de estímulo à informação dos laboratórios, principalmente, no que dizia respeito aos assuntos ligados à área farmacêutica nacional.
Mostrando-se atenta à realidade e às novidades relacionadas ao setor, a ALANAC passava a aprimorar seu conhecimento e poder de argumentação, armas que se verificariam poderosas na busca por vitórias, especialmente, em relação às autoridades governamentais.
Estar presente junto aos principais dirigentes do País, dialogando e reivindicando, seria quase que uma missão dentro da ALANAC. Foi encorajada por essa forma de pensamento que, em outubro de 85, a diretoria da entidade entregou nas mãos do então Presidente da República, José Sarney, o documento "Subsídios para uma política de apoio a Indústria Farmacêutica Nacional”.
A carta trazia uma análise intensa e profunda da realidade brasileira, com opiniões sobre a questão das patentes e comparações com o posicionamento de Países sul-americanos e do primeiro mundo sobre o assunto. O texto lembrava, por exemplo, que, no passado, Itália, Japão e Espanha recusaram patentear produtos farmacêuticos e farmoquímicos.
A iniciativa da ALANAC mostrava, acima de tudo, o interesse em participar da etapa de reconstrução democrática. No documento, a associação enfatiza a decisiva contribuição que o setor poderia dar aos programas de saúde do Governo, assim como livrar o Brasil de uma dependência econômica e tecnológica num setor essencial para o desenvolvimento do País. O estudo também apresentava as razões pelas quais a indústria nacional encontrava-se em desvantagem frente às multinacionais.
Para a ALANAC, a indústria nacional teria condições de acompanhar a fronteira tecnológica, caso não fosse submetida à competição com grupos estrangeiros que entravam no nosso mercado, operando a custos marginais e contando com forte suporte financeiro de suas matrizes. Em 1984, o Brasil dispunha do 8º maior mercado consumidor de medicamentos do Ocidente. A carta expunha a não pretensão de que as multinacionais fossem excluídas do mercado brasileiro. Observava, porém, o poderio financeiro e tecnológico dessas empresas e salientava que apenas políticas industriais bem orientadas seriam capazes de sustentar a competitividade das empresas nacionais e manter o saudável equilíbrio entre os segmentos.
Na administração seguinte, a de Nelson Torres Duarte, a ALANAC incentivaria a discussão aberta sobre assuntos de relevância social, como na 8ª Conferência Nacional da Saúde, organizada em 1986. Foi nessa gestão que a ALANAC discutiu e posicionou-se politicamente em relação a uma nova Constituição, sob a responsabilidade da Assembléia Nacional Constituinte. O documento – da série Saúde Brasil – Análise e Propostas da Indústria Farmacêutica Privada Genuinamente Nacional para a Constituinte, escrito por Nelson Torres Duarte e Sara Kanter, foi preparado para ser entregue aos congressistas.
Sucessor de Nelson Torres Duarte na Presidência da ALANAC, Adilson Martins Xavier assumiria o cargo em 1987, mantendo a associação atenta ao cenário político nacional. Naquele ano, a instituição confirmaria a sua disposição em contribuir com o poder público, oferecendo sugestões que considerava necessárias para a elaboração da nova Constituição brasileira.
O interesse em participar desse processo foi demonstrado diretamente em Brasília, junto a Deputados e Senadores, com a entrega do estudo "Análise e Propostas da Indústria Farmacêutica Privada e Genuinamente Nacional para Constituinte", em maio, que apresentava as razões pelas quais o setor não crescia e convocava o Estado a mobilizar e instrumentalizar a empresa nacional, apresentando-a como aliada natural no processo de correção das distorções sócio-econômicas da sociedade brasileira.
Não era uma preocupação sem fundamento. O estudo da entidade atentava para o fato de que apenas 50% da população tinham acesso aos medicamentos do País, seja por via estatal ou privada. Ainda segundo a associação, era fundamental que a indústria nacional passasse a atender de forma mais expressiva o mercado privado (formado por clínicas e consultórios de saúde particulares), e a população carente (por meio de programas) como preferência de compra do Governo. Para a ALANAC, a recuperação desse poder de compra fomentaria o desenvolvimento da pesquisa, da tecnologia e do parque industrial nacional.
A entidade defendia a tese de que o crescimento da indústria nacional levaria à ampliação imediata do mercado para os cientistas e técnicos do País, especializando toda a mão-de-obra restante, necessária à produção de alta tecnologia. Na carta aos congressistas, a associação ainda ressaltaria a importância de se desenvolver pesquisas de produtos para doenças brasileiras, medicamentos específicos para as endemias, manutenção no mercado de produtos órfãos e de interesse para as ações de saúde no Brasil.
A ALANAC também sustentou, ao longo do documento, a tese de que o desenvolvimento era viável e que a baixa participação dos laboratórios farmacêuticos nacionais no mercado brasileiro teria origem na dificuldade de acesso às matérias-primas e insumos, por conta das políticas internas de limitação da importação ou pela produção cativa dos grupos monopolistas. Isso decorreria da inexistência de uma política que defina o mercado brasileiro como principal estimulador da produção nacional e crie mecanismos para garantir e aumentar a participação nacional no próprio mercado.
Consciente da situação nacional, a associação ainda apontou a inexistência de uma política estabilizadora para que o setor pudesse investir, com segurança, nas áreas indicadas como essenciais pelo próprio Governo, assim como a falta de mecanismos constitucionais que garantissem às empresas privadas nacionais o acesso diferenciado e preferencial às políticas de Vigilância Nacional, visando atender ao mercado governamental estabelecido pela R E N A M E (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais – aproximadamente 400 medicamentos que bastariam para tratar de 95% dos casos de doenças ou prevenção. Organizada pela OMS) e, ao mercado privado, atendido pela assistência médica particular, em geral usuário dos novos medicamentos pesquisados e lançados no mercado internacional.
Entre as muitas outras sinalizações inseridas no documento, a ALANAC sugeria, ainda, a obrigatoriedade da aquisição, pelo poder público, de produtos farmacêuticos e matérias-primas produzidas por empresas de Capital e controle nacional, quando disponíveis internamente, além de incentivos específicos às companhias brasileiras que realizam esforços na área de investigação científica e tecnológica, e estejam integradas às Políticas de Saúde do Brasil. Entre esses incentivos, tratamento diferenciado nas áreas fiscais e tributárias, preferência quanto a registros de produtos novos e similares na DIMED, privilégios na política de preços (CIP) e mais atenção para uma política de importação e exportação (Cacex). A entidade também propunha que, no interesse da defesa da Soberania, o País poderá denunciar, a qualquer tempo, os acordos internacionais de Patentes. Naquele mesmo ano, a entidade reforçaria o pensamento de que a indústria farmacêutica nacional é forte, tem condições de crescer, mas que precisa de oportunidades para atingir tal estágio. Para fundamentar essa argumentação, a entidade divulga, em novo documento, que vê como essencial o desenvolvimento interno da tecnologia para a obtenção de matérias-primas farmacêuticas e a autonomia industrial do setor.
A ALANAC ainda iria além: aconselha o Estado brasileiro a manter, a qualquer custo e sob todas as pressões estrangeiras, a então Lei de Propriedade Industrial, que não permitia a patente de produtos ou processos no campo de medicamentos e de insumos farmacêuticos. Para a entidade, a não patenteabilidade deveria ser extensiva à biotecnologia, bem como a todo o setor estratégico em fase de desenvolvimento tecnológico, definido de interesse do País. A associação também reforçaria a idéia de que a questão das propriedade industrial como instrumento de desenvolvimento deveria estar prevista na Constituição brasileira, alertando que o Brasil não poderia permitir a instituição da “patente de defesa sanitária”, pois as empresas genuinamente nacionais, enquanto não alcançarem o grau de desenvolvimento e de autonomia dos Países desenvolvidos, comercializam matérias-primas e produtos pesquisados e lançados pelos grandes grupos multinacionais.
Ressaltou a ALANAC que a nossa própria legislação impedia o registro de qualquer produto que não estivesse há um ano registrado no País de origem, inviabilizando, assim, as possíveis “novidades” brasileiras, bem como a transformação do Brasil em “campo de prova”. As indústrias genuinamente nacionais deverão ter acesso diferenciado e preferencial às políticas de vigilância sanitária.
Enquanto ocupou pela primeira vez a Presidência da ALANAC, Dante Alario Jr. procurou expor e defender os interesses da indústria de Capital nacional junto a órgãos do Governo e setores da sociedade. No ministério da Fazenda para tratar de política econômica e controles. No Ministério da Justiça para debates sobre proteção ao consumidor. Nos Ministérios da Ciência e Tecnologia, da Indústria e Comércio e das Relações Exteriores sobre assuntos do setor. Com o MRE, discutiu a questão dos intercâmbios com Países de interesse do Itamaraty e o posicionamento do setor em relação às patentes.
Os encontros com a sociedade civil aconteciam em reuniões, tanto em sindicatos de trabalhadores e conselhos profissionais, quanto em partidos políticos e Universidades, procurando, sempre, apresentar para a sociedade brasileira a posição política, econômica e social das empresas associadas, e buscar a concretização de metas que se baseiam no desenvolvimento do País. Um assunto mereceria atenção especial na ALANAC: a questão das patentes.
O posicionamento da entidade sobre o tema era claro: qualquer decisão governamental deveria considerar a necessidade de ter adotadas leis tão protecionistas como aquelas dos Países desenvolvidos quando o seu estágio de industrialização era semelhante ao do Brasil atual. A preocupação dos associados voltava-se para a possibilidade do País aceitar as pressões externas, principalmente das multinacionais. Uma simples decisão do Governo nesse sentido poderia provocar a implantação de um monopólio comercial em um setor internacionalmente oligopolizado. Ciente de que o reconhecimento de patentes representaria uma reserva de mercado absoluta, por conta do tempo de vigência da concessão, e que isso possibilitaria uma brutal elevação dos preços das matérias-primas e medicamentos, a ALANAC agiu na obrigação de alertar a sociedade e o próprio governo.
Os trabalhos, nesse sentido, começariam a ser colocados em prática em 91, com o encaminhamento do Projeto de Lei 824, sobre propriedade industrial. Em 92, a entidade apoiaria o seminário Patentes: remédios, sementes e vida.
Mesmo em meio a todas as “turbulências” provocadas pelo assunto patentes, a ALANAC não abandonou a sua missão de divulgar conhecimento aos seus associados. Um exemplo dessa postura ocorreu em outubro de 91, com a distribuição do roteiro Montagem de Laboratórios em Indústrias de Insumos para Uso Farmacêutico, Cosmético, Alimentício e Afins, elaborado pelo grupo Qualifar, da Unifar, que visava estimular a qualificação técnica das empresas associadas. Editado por três vezes, o documento trazia, entre outros ensinamentos, noções sobre controle microbiológico de matérias-primas e a validação de métodos analíticos.
Em 1994, com a experiência e a segurança acumuladas em mais de 10 anos de atividades, a entidade lança o documento ALANAC – Um projeto realizável. Enquanto o tema patentes dominava a discussões dentro da ALANAC na primeira metade da década de 90, a busca pela qualidade dos medicamentos e, principalmente, a luta contra a falsificação desses produtos ganhou força a partir de 95, ano em que tem início o mandato de Fernando de Castro Marques como Presidente da entidade.
É durante a gestão de Fernando Marques, em 96, que a ALANAC, distribui os informes do Fórum pela liberdade do uso de conhecimento, mesmo documento enviado aos Senadores, e, em conjunto com o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde – INCQS -, e com a Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Oficiais do Brasil – ALFOB -, realiza, em setembro de 97, no Rio de Janeiro, o I Qualimed – Simpósio de Qualidade de Medicamentos. Concebido para promover a ampliação do conhecimento de modernas metodologias analítico-laboratoriais, o evento teve excelente repercussão, colaborando para a divulgação da necessidade de aprimorar-se, sempre, a qualidade dos fármacos e medicamentos utilizados no Brasil.
Enriquecido pela presença de técnicos do FDA – Food and Drug Administration, dos Estados Unidos, e representantes da Universidade do Chile e do Governo da Costa Rica. O encontro contou com pelo menos 200 participantes.
Nesse mesmo ano, a ALANAC também resolve recorrer de decisões das autoridades políticas ao entrar, por meio do tributarista Ives Gandra Martins, com uma ação de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal contra o regime de substituição tributária em relação a operações com produtos farmacêuticos.
A associação lutou junto aos órgãos do Governo para a renúncia do convênio do ICMS, o que acabou ocorrendo em São Paulo, com a assinatura do decreto 42.346 de outubro de 97.
Até conquistar essa vitória, foram necessárias diversas audiências com o então Secretário de Estado dos Negócios da Fazenda de São Paulo, Yoshiaki Nakano, e com o Coordenador de Administração Tributária de São Paulo, Clóvis Panzzarini. A decisão acabou repercutindo em outros estados, que também acabaram adotando a medida.
Antes do término de 97, os associados da ALANAC ainda teriam algo para comemorar. Por meio de parceria com a ABIFINA e o Sebrae, a associação implanta o projeto Alerta Patentes. A medida permite que a entidade acompanhe todo o processo de patenteamento no Brasil e no Exterior, criando, assim, mecanismos para melhor defender os interesses da produção nacional e ampliar nossos recursos tecnológicos. Os associados recebiam, em disquete, uma seleção dos pedidos depositados no País e no Exterior na sua área de interesse.
O projeto possibilitou identificar pipelines (retroatividade) que ferem os direitos das indústrias nacionais e que atingem produtos/processos utilizados no Brasil. Ainda nesse sentido, a ALANAC passou a formalizar denúncias sobre produtos importados comercializados em registro.
Em março de 98, ano em que completaria 15 anos de existência, a ALANAC decide ampliar as formas de comunicação com a sociedade, principalmente com seus associados, lançando o Jornal ALANAC, criado para levar informações e prestação de serviços ao setor farmacêutico nacional, chegava com a missão de ser o porta-voz do setor, discutindo políticas de desenvolvimento, levantando questões polêmicas e ampliando o conhecimento técnico-científico.
O mês de abril de 98 marcaria, de vez, a entrada da entidade no combate à falsificação de medicamentos. Em uma carta à Secretária de Vigilância Sanitária do Mato Grosso do Sul, Marta Nóbrega, a ALANAC expressa sua preocupação com a falsificação e os freqüentes roubos de cargas.
No documento, assinado pela Diretora Técnica, Sara Kanter, a associação dedica especial atenção à falsificação, atentando para a sofisticação das fraudes, que atingem produtos essenciais no tratamento de doenças graves, como câncer e infecções generalizadas. Faz a sugestão de que a Vigilância Sanitária abra um canal para receber denúncias e reforça que a falsificação atinge o paciente, a indústria, e todo o sistema de vigilância sanitária do País. Em junho de 98, às vésperas de realizar o Seminário Nacional sobre Identificação de Medicamentos Falsificados, a ALANAC apresenta ao então Ministro da Saúde, José Serra, ofício com algumas das suas posições que seriam abordadas durante o evento.
Um mês depois, o Presidente da ALANAC encaminharia uma nova carta ao Ministro da Justiça, à época, Renan Calheiros, abordando o mesmo assunto. O documento oferece, mais uma vez, algumas sugestões que a associação considera viáveis para a solução do problema, como a criação de delegacias especializadas para tratar de temas ligados à saúde em geral e medicamentos em particular. Na visão da entidade, as delegacias especiais deveriam trabalhar em conjunto com as vigilâncias sanitárias dos estados e municípios para que as ações pudessem identificar e punir os criminosos.
Em 1999, a entidade trouxe para o Brasil a XX Assembléia Anual da Associação Latino Americana da Indústria Farmacêutica, ALIFAR. Realizada no Guarujá, São Paulo, entre os dias 25 a 27 de Maio, o encontro fez um raio-X da situação do setor na América Latina, com a identificação e análise dos seus problemas e quais caminhos seguir para o encontro de soluções.
Da chamada Declaração de Guarujá, documento e resultado dos três dias de debate, constatou-se que a existência de uma indústria farmacêutica genuinamente nacional é a garantia da produção local, viabilização de políticas de saúde pública, geração de empregos e acesso da população aos medicamentos. O documento ainda destacava a enorme pressão externa exercida por um grupo de laboratórios que pratica monopólios, com total apoio do Governo norte-americano, fato que ameaça a sobrevivência e o desenvolvimento da indústria nacional.
Paralelamente à Assembléia da ALIFAR, era realizado o XV Fórum Latino Americano da Indústria Farmacêutica, que discutiu estratégias para garantir a produção setorial. Entre os temas abordados, destaque para: a) inovação na propriedade industrial, b) registro sanitário e c) confidencialidade. Além de tratar de temas como genéricos, incluindo as leis, os mercados e os investimentos.
No campo político, era criado em janeiro de 99 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, ANVISA. Com ela, caberia à União definir uma Política Nacional de Vigilância Sanitária, assim como normatizar, controlar e fiscalizar produtos, substâncias e serviços de interesse para a Saúde. Vinculada ao Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária tem por objetivo promover a proteção da saúde da população. Em fevereiro, sairia do papel a Lei dos Genéricos e a definição do produto: medicamento igual a um produto de referência ou inovador, que se pretende ser com este intercambiável, geralmente produzido após expiração ou renúncia da proteção patentária ou de outros direitos de exclusividade, comprovada a sua eficácia, segurança e qualidade e designado pela DCB (Denominação Comum Brasileira) ou, na sua essência, pela DCI (Denominação Comum Internacional).
O surgimento da ANVISA, e o estabelecimento de cobrança de taxas de fiscalização, exigem da ALANAC um intenso trabalho político, feito com entidades dos setores de correlatos, equipamentos e materiais médico-hospitalares, alimentos, cosméticos e saneantes.
A parceria com outras entidades ligadas à área de saúde vem sendo produtiva no que diz respeito à divulgação de conhecimentos. Em novembro de 1999, antes mesmo de ser aprovada a Lei dos Genéricos, a ALANAC promoveria, em conjunto com o Laboratório de Biofarmotécnica do Departamento de Farmácia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo – BIOFAR, um debate com as novidades sobre o assunto.
Nessa época, a ALANAC também chamava a atenção da sociedade para a questão dos fitoterápicos, lembrando que as plantas medicinais brasileiras são um patrimônio que vem sendo pirateado por grandes grupos internacionais, resultando em patentes que se utilizam do conhecimento indígena. Ao mesmo tempo em que surgia a proposta de um Programa Nacional que envolvia e integrava os Ministérios da Agricultura, Ciências e Tecnologia, Saúde e Indústria e Comércio, para que o Brasil avançasse e desenvolvesse o seu potencial nessa área, a ALANAC cria a Comissão de Fitoterápicos, nas áreas técnica e empresarial, visando incentivar os estudos, registro e a implementação dos medicamentos fitoterápicos.
A responsabilidade de comandar a ALANAC entre os anos de 2000 e 2002 cairia nas mãos de um de seus ex-presidentes, figura sempre em destaque desde a fundação da entidade. Após ter ocupado o posto máximo da associação durante toda a primeira metade dos anos 90, Dante Alário Jr. assumia novamente a Presidência da entidade.
Logo em seu primeiro ano de gestão, Dante Alário Jr., e a Diretoria Técnica da ALANAC, Sara Kanter, são convocados para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito, CPI, destinada a investigar os reajustes de preços e a falsificação de medicamentos, materiais hospitalares e insumos de laboratórios. Engajados em cooperar com o Governo, ambos se apresentam em Brasília, em fevereiro de 2000, para prestar seus esclarecimentos sobre o assunto. Os depoimentos dos dois, com grande repercussão na mídia, basearam-se em informações sobre o setor e apresentações de relatórios. Em julho do mesmo ano, juntamente com outras entidades representativas, a ALANAC firma com o Governo um Protocolo de Intenções. O objetivo é estabilizar os preços dos medicamentos e constituir um grupo de trabalho para definir uma nova regulamentação para o setor.
Dois meses mais tarde, preocupada em acompanhar o ritmo de seu próprio tempo, ALANAC dá um passo importante rumo à modernidade e implanta, em setembro, o site www.alanac.org.br. A entrada no mundo virtual permitiria a qualquer internauta acessar informações sobre a entidade, dados sobre resoluções e, até mesmo, assessoria jurídica. Assim como fizera com outras autoridades políticas, a ALANAC encaminha, em fevereiro de 2001, ofício ao então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, cumprimentando a atitude do Governo Federal em reduzir os preços dos medicamentos.
Na carta, Dante Alário Jr. lembrava do apoio da indústria nacional aos genéricos, sempre com o objetivo de desenvolver tecnologia, além de produzir e oferecer ao mercado interno remédios a custos mais compatíveis com a renda nacional. Apesar dos elogios, o Presidente da ALANAC deixava claro que, para atingir esse estágio, seria necessário à formalização de salvaguardas à indústria nacional, que impulsionasse a criação de um parque industrial à altura. O documento também fazia críticas à decisão do Governo de abrir o mercado interno de genéricos aos concorrentes, mesmo temporariamente, sob o risco do enfraquecimento dos esforços da indústria nacional. O ofício solicitava, ainda, que o Itamaraty defendesse, de forma intransigente, as salvaguardas da Lei de Patentes sancionadas no primeiro Governo de FHC.
Sucessor de Dante Alario Jr, Josimar Henrique ocupa o posto de Presidente na busca pelo fortalecimento da relação com seus associados, engajando-se na realização de seminários voltados para o crescimento do setor: promove, no centro de Convenções do Jornal Gazeta Mercantil, em São Paulo, em julho de 2002, o evento O Futuro da Indústria Farmacêutica.
Na pauta do debate, o quadro atual do setor e tendências, instrumentos de apoio à pesquisa e desenvolvimento científico/tecnológico no Brasil, a política industrial, e financiamento e comércio exterior. Mais de 200 pessoas participaram do evento, entre empresários, executivos, jornalistas, pesquisadores e acadêmicos. As conclusões mostram que o mercado preparava-se para uma reformulação, principalmente por conta da lei das patentes, o êxito dos genéricos e guerra declarada aos similares.
Em sua missão de buscar o diálogo entre a entidade e as diferentes esferas do Governo, Josimar Henrique, Dante Alario Jr., e o Presidente Executivo da FEBRAFARMA, Ciro Mortella, foram recebidos, em setembro de 2002, pelo então Vice-Presidente da República, Marco Maciel, em Brasília. Na pauta de reunião, aspectos gerais do setor farmacêutico do Brasil. Mostrando seu interesse em dar apoio ao Governo Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro, a ALANAC divulga na Imprensa um anúncio dando boas vindas ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reafirmando que a ALANAC não está atrás de milagres, nem de propostas para dourar a pílula. Em janeiro de 2003, Josimar Henrique participa das posses dos Ministros da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, da Integração Nacional, Ciro Gomes, e da Saúde, Humberto Costa, ocasião em que expôs a situação e necessidades do setor farmacêutico.
Assume a diretoria executiva da ALANAC, Stan Braz, especialista em gestão de negócios e marketing, com passagem por Direção e Vice-Presidência de empresas nacionais e estrangeiras. O Jornal da ALANAC entra numa nova fase, cobrindo todos os contratos e relacionamentos da Diretoria, trazendo cientistas, especialistas e autoridades a contribuir com artigos, contando coma participação de associados que justificam a importância da ALANAC. Um serviço de notícias específicas sobre o setor passou a ser distribuído aos associados diariamente e, a cada quinze dias, os associados têm o acompanhamento dos trabalhos e contatos da Diretoria, sempre por correio eletrônico.
Em julho desse ano, a entidade fez parte da delegação do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita a Portugal e Espanha, representando a Febrafarma. A missão incluiu encontro com empresários e autoridades dos dois Países e visava incentivar a presença dos investimentos de ambas as Nações no Brasil. Josimar Henrique aproveitou para difundir a indústria farmacêutica nacional.
Começa a ação de comunicação reforçando a mensagem de que um País que deseja manter a sua soberania precisa ter uma indústria farmacêutica nacional forte e competitiva. A marca ALANAC passa a trazer o seu posicionamento ALANAC nacional, brasileira.
A ALANAC foi formada para dar ao estado à sociedade e aos governos, subsídios e argumentos da necessidade do Brasil ter uma indústria Farmacêutica Nacional forte e independente, princípios estes que a regem até os dias de hoje.
A maturidade da ALANAC é visível quando se observa o nível e a qualidade de relacionamento com Ministérios e Ministros, Agência Reguladora (ANVISA) e seus técnicos, Congresso e seus Deputados, Senado e seus Senadores assim como toda sociedade civil.
Força Internacional A ALANAC é membro da ALIFAR- Associação Latinoamericana de Indústrias Farmacêuticas, entidade com sede em Buenos Aires, Argentina, que congrega as associações dos laboratórios nacionais da América Latina e Caribe. ALIFAR é uma entidade de grande influência política internacional e tem assento na Organização Mundial de Saúde (OMS) e na Organização Pan-americana de Saúde (OPAS). Essas organizações se reúnem anualmente e discutem temas e práticas que têm relação direta com o dia-a-dia das empresas farmacêuticas. Por ser uma entidade atuante no Brasil, a ALANAC tornou-se um membro importante e referência para outras associações, sempre indicando um membro na diretoria da ALIFAR, aproximando ainda mais os interesses dos laboratórios brasileiros dos cenários pan-americano e mundial. Isso quer dizer que a ALANAC está presente em todas as discussões, levando a sua posição no interesse dos seus associados, daquilo que se discute mundialmente e que tenha validade para o setor.
A ALANAC participa do Seminário sobre Harmonização de Registro e Controle de Medicamentos Veterinários – CAMEVET, com a mesma visão de representatividade do setor veterinário industrial nacional.
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